sábado, 31 de julho de 2010

A lixeira do poeta

O costume de se ser elaborado é uma praga.

Trata-se tudo elaboradamente. Refinadamente. Ritmadamente.
Sílabas contadas, metáforas deslocadas.
Perfeccionista trabalho do poeta.

Metódica arte quieta
Que se busca ferir com barroca adaga
Em ordem invertida a frase, o golpe sempre reto;
Como se isso a tornaria mais romântica, menos rasa.

Expressão de uma literatura esvaziada.

Poetei sempre, em meus canteiros de caderno
Rimando a princípio obviedades, como pai e terno,
Até que perdi o jeito.
Ou foi o talento, que diziam existir, quem me deu as costas.
Outro dia tentei de novo
Sobre a mesa debruçada em minhas influências -
Aquelas outras mentes de que se gosta -
Nada saiu. Perdi o jeito.

Papéis amassados, com raiva, amontoados embaixo de mim.
Vazios de versos, sem rimas, encantos, nem cantos, enfim.

...

Meu Deus! Quanta poesia tinha ali!