segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Da insólita dessolidão


E se subvertêssemos a solidão, sem retirar dela o silêncio, a melancolia, o denso vazio?! Em palavras que materializam em bytes, energia. Uma nudez de diálogos escancarados, um perfeito despropósito mesmo para preferências anunciadas por monólogos. E se transfigurássemos a solidão em companhia?!
De repente escrever em prosa é tão complicado, mas não há espaço para versos nessa estória. Não há espaço para versos em mim. É que vislumbro essa pura poesia tão perfeita em sua abstração, que tentar traduzi-la seria um crime, um pecado, uma desfaçatez. 
Permanece esse silêncio dominical numa curiosidade impaciente, característica, famigerada, maturada e mal digerida, entalada na garganta, ácida, breve, grossa, voluntariosa e um tanto tímida. Sinceridades não interessam; desinteresses, doutra sorte, exercem diuturnamente e, em especial, madrugadamente, sua atração insustentável, diagnosticada em tempo, ora em franco e confesso tratamento de contenção. 
As maçãs do rosto em fogo, por calor, ou seria o efeito da adolescência tardia na pele jovem e, ainda, sem marcas; ou seria o efeito da adolescência revivida, que não passará de todo nunca, aquela perfeitamente visível nas marcas talhadas precocemente na pele por baixo da pele. 
Quieta, sorrateira, tangente e intangível, a inconfundível solidão acompanhada introduz um novo carinho no meu vocabulário, sem palavras para descrever o ofício de acariciar a alma. E a distância se faz quietamente presente, uma metafísica áurea, uma concretude ao avesso, excessos contidos, contenções inexistentes, mesmo porque necessariamente insuficientes pra almas que transcendem os limites descabidos do corpo, dos termos, do tempo, da normalidade. 
Então o que restaria de um tal processo de dessolidão?! Insolitude... E uma satisfeita sonolência...

2 comentários:

  1. Que seu passeio pela prosa seja demorado...

    Eu resolvi ser amigo da solidão e parece que até me faz bem. Sem esse fardo, sem o peso que acompanha.

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  2. A solidão fez parte de mim por tanto tempo,
    as vezes ela bate à porta e eu deixo entrar,
    pq querendo ou não as vezes é bom ficarmos sozinhas!

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