domingo, 8 de janeiro de 2012

Bodas de prata




(A pedidos, aqui vai a mensagem que falei aos meus pais na missa de bodas de prata, no último dia 6).

Boa noite a todos os amigos aqui presentes. Boa noite pai, mãe.
                                        
Eis que recebi a importante tarefa de falar sobre os 25 anos de casamento de meus pais. Em princípio pensei, bom, destes 25 anos, vivenciei e testemunhei 22, quase a totalidade. Isso deveria me dar alguma tranquilidade e muita propriedade para tratar do assunto. Rapidamente, porém, com alguma reflexão, os 22 passaram a ser apenas 10, cujas lembranças eram mais vívidas e quando a minha idade não tão tenra já me permitia de fato apreender, em lições diárias, o que torna esse casamento tão especial... Lembro que uma vez perguntei pra mamãe a receita, ao que ela me respondeu: "Ahh minha filha, só o que sustenta uma relação por tanto tempo é respeito, admiração e muito amor".

Mas ora! Amor é o tipo da coisa que criança talvez saiba bem melhor que adultos. E amor eu conheço desde o comecinho da vida. Salva pelo gongo!

Há alguns anos foi feita uma pesquisa com crianças de 4 a 8 anos sobre a definição de amor. Uma das respostas mais interessantes foi que amor é quando você fala para alguém algo ruim sobre si mesmo e sente medo que essa pessoa não venha a te amar por saber disso, aí você se surpreende, porque a pessoa não só continua te amando, como agora te ama mais ainda. Pois já há algum tempo venho achando que a gente se apaixona não pelas qualidades das pessoas, mas pelos defeitos. É quando as falhas, que todos temos, tornam-se toleráveis, admissíveis e até engraçadinhas, encantadoras, que o amor floresce.

Sinto decepcionar aqueles que ainda estão em busca de seu par perfeito, mas, cada vez mais, parece-me que amores perfeitos não existem. Primeiro porque somos todos imperfeitos. Depois, o amor, para dar certo, é sempre incompleto, pois demanda que sejam depositadas novas doses de amor todos os dias; e é assim, nesse permanente e constante processo de completar-se, que se revela pleno.

Há 25 anos, meus pais se amam todos os dias. Amam e admiram as inúmeras qualidades que saltam aos olhos em um e outro e aquelas mais escondidas, que requerem segundos, terceiros, vigésimos quintos olhares... E amam e respeitam as pequenas falhas que vez por outra despontam. Amam-se na imperfeição que nos torna humanos. Amam a imperfeição que torna o próprio amor possível.

Mas aos meus olhos de filha, apaixonada aprendiz, eles ainda são um casal de super-heróis, um romântico par shakespeariano, um casal protagonista de comédias românticas ou novelas das nove... E eu os amo, admiro e respeito, absolutamente.

2 comentários:

  1. Nem preciso dizer que vc me faz chorar, né?!? Na igreja e agora, aqui em casa, ao chegar de viagem. É um imenso privilégio tê-los como amigos! Um beijo e obrigada por nos terem dado a oportunidade de dividir com vocês esse momento tão especial!

    ResponderExcluir
  2. Além de tudo geraram você, uma verdadeira obra prima.

    TM.

    ResponderExcluir