sábado, 4 de agosto de 2012

Chuvas de cerrado


Olha, amor!
A chuva que cai lá fora
Deixando esse cheiro no ar
Qual teu odor expressivo
Entranhado na pele da menina
Que flutua longe do chão...

Vê, amor, que furtivo!
As nuvens demoram a passar
Cheias das lágrimas que me roubaram
Cheias dos rastros de amor que deixaste
Nos cantos da cidade sem esquina
E, é claro, em meu coração...

Pois, que coisa, amar, amor!

O poeta devia estar emotivo,
Quando achou que verbo seria
De intransitiva conjugação
Ou foi só porque não havia
Testemunhado a nossa conjunção...

No cerrado, só chover é intransitivo!

Na nossa gramática
Amar é vocação
Amor é vocativo
E se presta à reunião
Dos corpos uma vez apartados
Por ironia ou desígnio dos astros
Porém unos por definição.

Mas olha, amor!
Lá fora, a chuva que cai...