terça-feira, 14 de março de 2017

Lembranças de um carnaval

No primeiro dia, fui guerrilheira
E no segundo, danada que sou
Formei logo um bando e subi a ladeira
Lampião me tomou pelo braço
Então, me fiz Miranda e cantei
Ao tico-tico, ao elefante, sambadeira
Mas inda não consegui largar o cangaço
Confesso
Vesti-me de doce e destilei ambiguidades
Achei o que é pouco bem bastante
Até que enfim, desarmada
Na cidade antiga do lado
Dancei na chuva, sambei
Molhada em transe, eu gritei
Vi os fogos num grande encontro
Existi e cantei a cada instante
Na ciranda, maracatu e sinergia
Desejei feliz ano novo e poesia
Comi uma tapioca, frevei e dormi
Pelo chão do quarto, as fantasias
Uma hora depois e já era dia
Enquanto recolhia o batalhão
Esticava a perna que doía
Já com saudades da revolução
Bem fundo do peito, que também já chiava
Dando sinais de que vinha congestão
Tomada por uma carnavália infinda
Eu sabia, ah eu sabia!
Feliz quem se entrega inteirinha a Olinda!

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