domingo, 13 de novembro de 2016

Outono


"Quando se abriu um buraco nas nuvens, 
me pareceu que sobrevoávamos Budapeste, 
cortada por um rio, O Danúbio, pensei, era 
o Danúbio mas não era azul, era amarelo, a
cidade toda era amarela, os telhados, o asfalto, 
os parques, engraçado isso, uma cidade amarela, 
eu pensava que Budapeste fosse cinzenta, 
mas Budapeste era amarela."
[Chico Buarque - Budapeste]

lá no topo da Citadella era tudo um amarelo só
e de vez em quando um alaranjado
mais queimado pelo tempo ou pelo sol

nestas bandas bastante esplanadas
tanto amarelo seria terra ou talvez fosse flor
colorindo o concreto discreto do eixão

porém lá era amarelo em proliferação
e dançavam balé saltitantes no vento
as folhas restantes em subversão

era tanto amarelo saltimbanco no olhar atento
que se punha a contento disposto em tantos
e tão penetrantes e já tão distantes tons

que no se pôr acizentado destes dias 
sem sombra de som nem de sol ou de sono
ainda resta um bom amarelo por cá

ainda resta se pondo e supondo
com quantos e quais amarelos
se faz um outono passar

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