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segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

Sobre viver

Não há que procurar a esmo
Qualquer etimologia que defina
Se sobreviver, veja bem, não for mesmo
Algo além que viver acima.

terça-feira, 3 de novembro de 2015

Pragmático


Eu não tenho tempo
Eu não sei voar
Dias passam como nuvens
Em brancas nuvens
Eu não vou passar
[Zeca Baleiro - Não tenho tempo]






O diagnóstico foi pragmatismo

Mal súbito
Sintomático de versos nublados
Randômicos e mal dispostos
Num guardanapo de avião usado

Porque deveras há poesia em guardanapos
Na modernidade dos Antônios
Ou nas marcas de beijos desde a brilhante ideia de colorir os lábios

Cada resto de batom num guardanapo traz em si uma poesia inteira
Qualquer resto limpado do canto dos lábios
Mas que tenha cor

A poesia é a libertação do pragmático
É o distintivo entre o asfixiado e o asmático
Só o segundo vive

Lá fora o céu azul encomprida
Preenche os espaços de infinitude
E o pássaro de ferro que me transporta
Me carrega pra mais perto de mim

É preciso perceber pra sentir
O céu colorindo o sorriso de azul

segunda-feira, 3 de junho de 2013

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

terça-feira, 19 de julho de 2011

Que ser poeta às vezes tem um pouco de mentir
Pra si mesmo
A fim de ser verdadeiro
Com o mundo.

... e vice-verso.

domingo, 9 de janeiro de 2011

Poerótica

"Face
Adulta
Adúltera
Famita
Lasciva
Nociva
Noctívaga
Que vaga
Perdida
Dentro de mim".

"Poemas e pecados. É disso que nos alimentamos no 
limbo da Terra. Do que sacia a vontade que a Igreja 
enterra. Pra gente como nós, todo verso é um grito, todo 
pecado, um rito. É a  passagem e a busca  da margem. 
O que dá aos atropófagos coragem.
[28 e 58, respectivamente- Paula Taitelbaum]

O que você fez com minhas rimas?
Meu raciocínio tá que só pensa num ritmo engraçado
De vem e vai, sobe e desce, morde e assopra.
O que será que sucedeu com as minhas meninas?
Agora são tão pobres, são toscas,
E só sabem falar de desejo...

Cadê as libélulas, as estrelas,
As palmeiras, os passarinhos,
Piu-pius, au-aus, bem-te-vis, pica-paus...
Cadê a quebrada das ondas, o silêncio das rondas
Não penso em problemas, firulas, quizombas...
Tanto menos em política, naquilo de ser canal indignado de transformação,
Senhora de mim, cheia de opinião.

Sequer me voltei para os ismos,
Cinismos, niilismos, parnasianismos, neologismos...
Onde foi parar minha enorme exigência de tempos atrás?
Meu método, minha métrica, meu jeito certinho,
Meus esquemas sonoros bem arquitetados de
"as" com "bês" e "cês" com "as"?
Só penso em morangos e champagne.
Hmm.. na curva das taças, na curva dos dedos, na curva das coxas,
E no aroma espumante que explode em um bocado de b
                          __________________________________________olh______as!
____________________________________________________________inh

Estou perdendo o foco, mais uma vez.
Então antes que pule pruma próxima estrofe cheia das mais desbocadas heresias
E desnude meus monstrinhos, minhas posições preferidas e ah... as minhas fantasias...
Assim que se recompor me diga
O que diabos você fez com as minhas rimas?

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Singelo

E se eu conseguisse fazer um poema 
Assim tão singelo quanto
Um chumaço de algodão
Seria ele um poema
Ou uma farsa?

Seria macio
Ao menos
Suave

...

Talvez até
Fosse
Verdade

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Quadrinha vagabunda

Perdoe o poema vagabundo
Que rima por profissão de fé.
Acaso seria ele mais profundo
Se não tivesse uma rima sequer?


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Pediram para eu conversar com os leitores. Aliás, qual a minha gratíssima surpresa ao descobrir que caramba! Em que ponto chegamos?! Até eu agora tenho leitores! Mas é que esse blog não é um blog-blog. Era pra ser um blog-repositório. Ou supositório, dependendo da sua intenção... Fato é que eu falo demais e sou meio rouca por isso. Ou talvez não tenha qualquer relação. Enfim, no fundo é que se eu começar a falar, as pessoas vão descobrir que eu sou chata. E não passo dum projeto tosco e mal-acabado de literatura, lutando dia após dia pra continuar assim...

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Poema verde

Sinto que minha arte carece de maturação.
Qual fruto caído precoce da árvore,
qual infante amor entalhado - prematuro - na árvore,
falta-lhe decerto alguma maturação.

Se fosse outra de mim
e tivesse vazio o estômago,
tivesse uma úlcera, um câncer, um pneumotórax, uma convulsão.
Se tivesse vazio o estômago
ou cheio de mágoa esse coração,
e meus precoces amores talhados na árvore
agonizassem caídos e apodrecessem no chão.
E se doesse o coração por vazio,
o estômago ulcerado de raiva ou decepção,
mas não.

Se tivesse uma casa na árvore
e lá entulhasse as infantes lembranças
de frutos caídos precoces
e dores talhadas no estômago
os guardasse a salvo do esquecimento
e de toda resignação...

Se saqueasse
os casais
que talham
seus nomes
na árvore
lhes roubasse
um vintém
de paixão
e do poeta
absorto
na sombra
da árvore
alguma
inspiração...

E se tivesse vazio o estômago!

Me fizesse
vermelha
e pregasse
na árvore
chamados pra
revolução
ou me fizesse
beata
e pregasse
da árvore
a ressurreição...

Nem que entornasse
o orvalho
das folhas,
nem que roubasse
dos pintassilgos
nos galhos
toda a composição,
ou virava poema
ou virava canção.
Se me restasse
alguma imaginação
e tivesse vazio o estômago.

Pois que me falta maturação,
me entalho no tronco
da árvore:
iniciais erodidas
em um só coração.
Pois que quero vazio o estômago
lanço aos canteiros
o fruto do âmago
ainda em gestação.
Aos canteiros,
os frutos
e a úlcera
do estômago
talhada
por toda essa
insatisfação.

Se tivesse vazio o estômago
e o coração houvesse
caído no chão,
haveria de restar
de tal falta de fôlego
alguma respiração.
Haveria de restar
de tal falta de fôlego
mesmo alguma razão,
se tivesse uma casa na árvore
ou encrustada uma úlcera no coração.

E caberia na arte todo lirismo,
os protocolares puristas,
quiçá o parnasianismo,
pois que vazio o estômago,
liberto até da libertação.

Mas não.

Sou fruto caído
precoce
da árvore
sem maturação.

sábado, 31 de julho de 2010

A lixeira do poeta

O costume de se ser elaborado é uma praga.

Trata-se tudo elaboradamente. Refinadamente. Ritmadamente.
Sílabas contadas, metáforas deslocadas.
Perfeccionista trabalho do poeta.

Metódica arte quieta
Que se busca ferir com barroca adaga
Em ordem invertida a frase, o golpe sempre reto;
Como se isso a tornaria mais romântica, menos rasa.

Expressão de uma literatura esvaziada.

Poetei sempre, em meus canteiros de caderno
Rimando a princípio obviedades, como pai e terno,
Até que perdi o jeito.
Ou foi o talento, que diziam existir, quem me deu as costas.
Outro dia tentei de novo
Sobre a mesa debruçada em minhas influências -
Aquelas outras mentes de que se gosta -
Nada saiu. Perdi o jeito.

Papéis amassados, com raiva, amontoados embaixo de mim.
Vazios de versos, sem rimas, encantos, nem cantos, enfim.

...

Meu Deus! Quanta poesia tinha ali!