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quinta-feira, 26 de setembro de 2019

Correria

Corro enquanto passam
A semana o mês o ano
Passam horas
Passam vidas
Passam planos

Escorrem forasteiros
Realmente passageiros
Quantos sonhos
Fantasias
Transcorrem pelos dias
Corriqueiras
Agonias
Pelos anos que percorro
Cordilheiras
Utopias

Corro tanto tanto tanto
E nessa minha correria
Só corro
Um dia morro

Calma ria

Corro tanto
Porém canto todo dia 

segunda-feira, 3 de junho de 2013

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

terça-feira, 19 de julho de 2011

Que ser poeta às vezes tem um pouco de mentir
Pra si mesmo
A fim de ser verdadeiro
Com o mundo.

... e vice-verso.

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Espelho (ou Meus Onze Anos)



"Oh! que saudades que tenho
Da aurora da minha vida,
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais!
Que amor, que sonhos, que flores,
Naquelas tardes fagueiras
À sombra das bananeiras,
Debaixo dos laranjais!"
[Oswald de Andrade - Meus oito anos]

Vasculhando no arquivo, encontrei essa pérola, escrita quando estava na 6a série, lá pelos meus 11 anos! Como esse blog tem também a função de me ajudar a guardar os escritos, aqui vai! Divirtam-se, rs!

Ao me olhar no espelho
Tenho a impressão
De que meu corpo inteiro
Está em transformação.

Já não sei se sou eu
Já não tenho a mesma aparência
Mudei e não percebi ?
Ou então não mudei, apenas cresci.

Pergunto-me o que pensam de mim
Será que todos ficam assim?
O que já foi não será de novo
Ou será que voltará em lembranças
Do meu tempo de criança?

Estou pulando etapas
Ainda não cheguei na adolescência.
Se continuar assim
Vou passar minha vida sonhando...
Ainda sou criança
Minha infância ainda não chegou ao fim.
                 
Porém, temos que lembrar
Que o que passou não voltará
Pois o tempo passa,
Infelizmente...
Ou será que para o bem da gente? 

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Caminhada




"My heart is like an open highway
Like Frankie said
I did it my way
I just wanna live while I'm alive
It's my life."
[Bon Jovi - It's my life]

"Amanhã!
Está toda a esperança
Por menor que pareça
Existe e é pra vicejar
Amanhã!
Apesar de hoje
Será a estrada que surge
Pra se trilhar
Amanhã!
Mesmo que uns não queiram
Será de outros que esperam
Ver o dia raiar
Amanhã!"
[Guilherme Arantes -  Amanhã]


tão gostoso afã
com o sol quase posto
no oposto da via
ao agosto do dia
pois suposto havia
que já era amanhã
quando vi que ainda tinha
muitos metros de via
muitos rastros de dia
muita vida bravia
muita melodia pagã

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Basta


   "Estou cansado, é claro,
   Porque, a certa altura, a gente tem que estar cansado.
   De que estou cansado, não sei:
   De nada me serviria sabê-lo,
   Pois o cansaço fica na mesma.
   A ferida dói como dói
   E não em função da causa que a produziu.
   Sim, estou cansado,
   E um pouco sorridente
   De o cansaço ser só isto —
   Uma vontade de sono no corpo,
   Um desejo de não pensar na alma,
   E por cima de tudo uma transparência lúcida
   Do entendimento retrospectivo…
   E a luxúria única de não ter já esperanças?
   Sou inteligente; eis tudo.
   Tenho visto muito e entendido muito o que tenho visto,
   E há um certo prazer até no cansaço que isto nos dá,
   Que afinal a cabeça sempre serve para qualquer coisa."

[Álvaro de Campos - Estou cansado]

A minha única pretensão é o fim.

Nada mais além de mim
Mas que nada além do mais
Além do que, que sou eu senão nada
E um grande nódulo de tensão no meio das costas se não nado
Falta de tesão e um velho calção de banho
Inútil deixado de lado
Uma velha canção de ninar
Que desafina e encontra seu destino junto à prateleira dos ursinhos aposentados da menina
Ora moça.

Ora, ora, moça
Desenganada, desnuda, um nada.
Fracasso até em chegar à condição de destroçada.
Não viveu desastres, não viu causas,
Só esse troço mesmo mal explicado.
E um caroço que se diz garganta e faz um barulho agravado
Dando à voz do nada um quê de rouquidão.

A voz que se dá ao nada
Que já não articula palavras
É só dor e pigarro.
(e também, com o perdão do palavreio xulo e do assunto sujo, um bocado de catarro)
Constrangimento não há
E, do contrário, se fingiria.
Só o nojinho do catarro
O entojo do pigarro
O cansaço da dor
E a vontade de reaver a voz havida um dia
Parece que faz tanto tempo...

Bom é quando a boca não serve nem pra falar!
Melhor dizendo, até serve
A gente que não se serve dela só pra esse mundano ofício de falar
Um sorriso basta
Um sorriso sempre deveria bastar.
Só que quando o beiço teima em se arquear em meia-lua pra baixo
E não adianta o quanto se tente fazer ele se virar
Sobra o que além de frustração?
O que resta é poetar
Ou calar a boca num belo de um beijo.

Pois bem,
Por bem eu falo
E falo, falo, falo
Me engasgo de tanto falar
E continuo falando
Até que a minha própria voz se trai
Se irrita de si mesma
Se enche de tamanha falação
Se esvai...

E fica só o sopro
Só o engodo
Só o trago quente e rápido de alguma bebida à mão
Sem muito esforço
Descendo em movimentos peristálticos prum intestino repleto de m
Digestão difícil e lerda
Como o nosso próprio processo de fagocitose
Digo, viver.

Dá raiva de pensar
Que tanto bom poeta
Já sofreu mais
E antes de mim!
Que não tenho nem doença daquelas incuráveis
Com algum nome bacana, polissílabo
Ou desilusão conhecida e compartilhada
Pelas mentes mais sensíveis
Mal do século
De gente seleta
De artista, de esteta
Nem que fosse só pelo modismo.

Mas é mesmo tão limitada a minha capacidade
Medíocre, até tosca toda essa tradução
Em versos que, mesmo sentidos,
Nunca serão lidos e relidos
No máximo reproduzidos por algum adolescente desesperado
Malgrado a frouxidão desse coração escangalhado
E o meu leve toque de cinismo...

Daí que da imortalidade desisti há muito
Pois imortalidade não é desse tempo
Quando a eternidade dura no máximo um "atualizar"...
Que me joguem fora então dobrada em origami!
Ou a folha bem aberta
Como são as entranhas de um poeta
Amador.

Bem que eu podia criar um pseudônimo
Talvez outro de mim
Sob outro nome autônomo
Conseguisse algum sucesso
Na tarefa que jamais se encerra
De ser palavras
E desmaterializar-se pouco a pouco
Até que não reste nada além de um toco
De árvore de tronco largo e raízes expostas sobre a terra
Atrapalhando o caminho público.

A troco de quê?
Um sorriso bobo e tosco
Bastante.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

O dia em que matei Bilac de desgosto

Românticos são lindos
Românticos são limpos
E pirados
Que choram com baladas
Que amam sem vergonha
E sem juízo...
São tipos populares
Que vivem pelos bares
E mesmo certos
Vão pedir perdão
Que passam a noite em claro
Conhecem o gosto raro
De amar sem medo
De outra desilusão...
Romântico
É uma espécie em extinção!
[Vander Lee - Românticos]


Ó baita desejo desvairado!
Sucumbido ao pânico sôfrego,
Em trânsito fuleiro e embasbacado,
Saliente e danado vai tomando fôlego.

Malucas e toscas palavras me escapam
Assim como quem escorrega e acha graça.
Rebuscamentos e uma puta linguagem crassa
Versificam-se, pois, e logo infartam.

Esse projeto sonético seria risível, nem métrico
Nem muito menos tampouco sequer racional.
Só pra falar dum sentimento estranho conhecido,

Que me apanha, por passar comum e batido.
Reputado a princípio amorzinho somente, "normal",
Modernos e puristas, unânimes, ora (direis) incrível! Incrível!



"Ora (direis) ouvir estrelas! Certo
Perdeste o senso!" E eu vos direi, no entanto,
Que, para ouvi-Ias, muita vez desperto
E abro as janelas, pálido de espanto...
E conversamos toda a noite, enquanto
A via láctea, como um pátio aberto,
Cintila. E, ao vir do sol, saudoso e em pranto,
Inda as procuro pelo céu deserto.
Direis agora: "Tresloucado amigo!
Que conversas com elas? Que sentido
Tem o que dizem, quando estão contigo?"
E eu vos direi: "Amai para entendê-las!
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e de entender estrelas."
[Olavo Bilac - Ora (direis) ouvir estrelas]

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Um galo sozinho não tece uma manhã...

Se tenho uma certeza é do quanto conversar é bom. O quanto o diálogo enriquece o canto, o quanto cantar junto é bem mais divertido que um solitário à capela. Com isso em mente, pensei nos quadrinhos que se situam abaixo de cada texto, como formas de saber como os meus sentimentos, as minhas lembranças, as minhas vontades, que aqui busco traduzir, afetam você que gentilmente escuta o meu canto (e muitas vezes, meu desafinamento, meu grito, minha tagarelice ou meu desejo desesperado de calar a boca). Muita gente escreve para se fazer ouvir. Eu escrevo para me fazer calar um pouco, para transbordar isso tudo que me preenche, expulsar das entranhas, antes que eu morra afogada e rouca. E eu escrevo também para conversar.

Assim, esteja sempre à vontade para comentar, criticar, sugerir, falar de algo nada a ver que veio à mente, algo que aconteceu no dia, algo parecido que viveu... As coisas que planto aqui nos meus canteiros são, para mim, como mudinhas que precisam da atenção de um jardineiro para que vinguem e, quem sabe até, com sorte, um dia floresçam. Os quadrinhos "No seu canteiro foi..." servem de mera sugestão e provocação, sendo uma opção para os dias mais corridos. Semente, se despertarem algo novo; adubo, se contribuírem para que algum sentimento/idéia pré-existente, pré-conhecido, tome forma  e se desenvolva; flor, se  enfeitarem algo que já está pleno e consolidado dentro de você; praga, se fizerem mal, machucarem, contaminarem o seu "jardim interior". É meio brega, eu sei, quase ridículo. Mas "todas as cartas de amor são ridículas". E todo lirismo é de amor.

Fica aqui um convite para que você também compartilhe comigo o seu canto, "para que a manhã, desde uma tela tênue, se vá tecendo, entre todos os galos".

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Singelo

E se eu conseguisse fazer um poema 
Assim tão singelo quanto
Um chumaço de algodão
Seria ele um poema
Ou uma farsa?

Seria macio
Ao menos
Suave

...

Talvez até
Fosse
Verdade

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Um bemol por que não?!


Aqueles olhos que me encantaram
Em outros cantos há muito passados
E a tantas outras decerto cantaram
E já me encheram de música
E me abarrotaram de tantos
Quando éramos tantos 
Quantos fôssemos ambos
E me bastavas até me cansar
Hoje me pedem em franco retorno
Que lhes compartilhe uma leda canção
Queda-me pois morno o peito calado
Ante tamanho furor da amiga surpresa
Assim repentina sem preambular
Que eis-me sem jeito qual desacordado violão
A buscar adequar os trejeitos
Após tantos outros cantos
Ao ritmo próprio de teus dedilhados
E revelo-me tão logo e perdida presa
Já vazia de bastas e esquecida de prantos
Repetindo instigada por que não?!
Embevecida no azul bemol de teu olhar.

domingo, 12 de setembro de 2010

DRs II - Discutindo a redação

Eu?! Há muito não mais teorizo: metaforizo.
Problema. Poema.

sábado, 11 de setembro de 2010

Excessos (ou Abscessos Poéticos)

Disparou o artista frenético em minha direção
A veia poética dilareçada e pulsando na mão
Arregaçado em carne viva
Vermelha sangrenta e doída.

Entranhas de versos hereges
Denunciantes de sonhos
Urgências e
Algumas
Poucas
Paixões.

Sem eufemismos,
Me corrige
Estrebuchante:

Fodam-se as libélulas e essas coisas bonitas de amor!

Sua exegese é de
Feridas purulentas,
Maledicências e
Decepções.

Por favor alguém me cale a boca! - gritou -

Antes que eu seja compreendido...

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Quadrinha vagabunda

Perdoe o poema vagabundo
Que rima por profissão de fé.
Acaso seria ele mais profundo
Se não tivesse uma rima sequer?


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Pediram para eu conversar com os leitores. Aliás, qual a minha gratíssima surpresa ao descobrir que caramba! Em que ponto chegamos?! Até eu agora tenho leitores! Mas é que esse blog não é um blog-blog. Era pra ser um blog-repositório. Ou supositório, dependendo da sua intenção... Fato é que eu falo demais e sou meio rouca por isso. Ou talvez não tenha qualquer relação. Enfim, no fundo é que se eu começar a falar, as pessoas vão descobrir que eu sou chata. E não passo dum projeto tosco e mal-acabado de literatura, lutando dia após dia pra continuar assim...

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Poema verde

Sinto que minha arte carece de maturação.
Qual fruto caído precoce da árvore,
qual infante amor entalhado - prematuro - na árvore,
falta-lhe decerto alguma maturação.

Se fosse outra de mim
e tivesse vazio o estômago,
tivesse uma úlcera, um câncer, um pneumotórax, uma convulsão.
Se tivesse vazio o estômago
ou cheio de mágoa esse coração,
e meus precoces amores talhados na árvore
agonizassem caídos e apodrecessem no chão.
E se doesse o coração por vazio,
o estômago ulcerado de raiva ou decepção,
mas não.

Se tivesse uma casa na árvore
e lá entulhasse as infantes lembranças
de frutos caídos precoces
e dores talhadas no estômago
os guardasse a salvo do esquecimento
e de toda resignação...

Se saqueasse
os casais
que talham
seus nomes
na árvore
lhes roubasse
um vintém
de paixão
e do poeta
absorto
na sombra
da árvore
alguma
inspiração...

E se tivesse vazio o estômago!

Me fizesse
vermelha
e pregasse
na árvore
chamados pra
revolução
ou me fizesse
beata
e pregasse
da árvore
a ressurreição...

Nem que entornasse
o orvalho
das folhas,
nem que roubasse
dos pintassilgos
nos galhos
toda a composição,
ou virava poema
ou virava canção.
Se me restasse
alguma imaginação
e tivesse vazio o estômago.

Pois que me falta maturação,
me entalho no tronco
da árvore:
iniciais erodidas
em um só coração.
Pois que quero vazio o estômago
lanço aos canteiros
o fruto do âmago
ainda em gestação.
Aos canteiros,
os frutos
e a úlcera
do estômago
talhada
por toda essa
insatisfação.

Se tivesse vazio o estômago
e o coração houvesse
caído no chão,
haveria de restar
de tal falta de fôlego
alguma respiração.
Haveria de restar
de tal falta de fôlego
mesmo alguma razão,
se tivesse uma casa na árvore
ou encrustada uma úlcera no coração.

E caberia na arte todo lirismo,
os protocolares puristas,
quiçá o parnasianismo,
pois que vazio o estômago,
liberto até da libertação.

Mas não.

Sou fruto caído
precoce
da árvore
sem maturação.

sábado, 31 de julho de 2010

A lixeira do poeta

O costume de se ser elaborado é uma praga.

Trata-se tudo elaboradamente. Refinadamente. Ritmadamente.
Sílabas contadas, metáforas deslocadas.
Perfeccionista trabalho do poeta.

Metódica arte quieta
Que se busca ferir com barroca adaga
Em ordem invertida a frase, o golpe sempre reto;
Como se isso a tornaria mais romântica, menos rasa.

Expressão de uma literatura esvaziada.

Poetei sempre, em meus canteiros de caderno
Rimando a princípio obviedades, como pai e terno,
Até que perdi o jeito.
Ou foi o talento, que diziam existir, quem me deu as costas.
Outro dia tentei de novo
Sobre a mesa debruçada em minhas influências -
Aquelas outras mentes de que se gosta -
Nada saiu. Perdi o jeito.

Papéis amassados, com raiva, amontoados embaixo de mim.
Vazios de versos, sem rimas, encantos, nem cantos, enfim.

...

Meu Deus! Quanta poesia tinha ali!