quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

O dia em que matei Bilac de desgosto

Românticos são lindos
Românticos são limpos
E pirados
Que choram com baladas
Que amam sem vergonha
E sem juízo...
São tipos populares
Que vivem pelos bares
E mesmo certos
Vão pedir perdão
Que passam a noite em claro
Conhecem o gosto raro
De amar sem medo
De outra desilusão...
Romântico
É uma espécie em extinção!
[Vander Lee - Românticos]


Ó baita desejo desvairado!
Sucumbido ao pânico sôfrego,
Em trânsito fuleiro e embasbacado,
Saliente e danado vai tomando fôlego.

Malucas e toscas palavras me escapam
Assim como quem escorrega e acha graça.
Rebuscamentos e uma puta linguagem crassa
Versificam-se, pois, e logo infartam.

Esse projeto sonético seria risível, nem métrico
Nem muito menos tampouco sequer racional.
Só pra falar dum sentimento estranho conhecido,

Que me apanha, por passar comum e batido.
Reputado a princípio amorzinho somente, "normal",
Modernos e puristas, unânimes, ora (direis) incrível! Incrível!



"Ora (direis) ouvir estrelas! Certo
Perdeste o senso!" E eu vos direi, no entanto,
Que, para ouvi-Ias, muita vez desperto
E abro as janelas, pálido de espanto...
E conversamos toda a noite, enquanto
A via láctea, como um pátio aberto,
Cintila. E, ao vir do sol, saudoso e em pranto,
Inda as procuro pelo céu deserto.
Direis agora: "Tresloucado amigo!
Que conversas com elas? Que sentido
Tem o que dizem, quando estão contigo?"
E eu vos direi: "Amai para entendê-las!
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e de entender estrelas."
[Olavo Bilac - Ora (direis) ouvir estrelas]

Um comentário:

  1. Depois dessa tive que me render e te linkarei lá no blog...belas palavras e Bilac não morreu de desgosto...eu acho!

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