"Índio que é índio
Anda pelado
Ou veste tanga
Mora na floresta
Em casa de palha
Tem cara pintada
Não sai do mato
Come mandioca
Usa cocar e apito
Caça de arco e flecha
E se chama Iracema
Ou Guaraci".
Já que branco que é branco
Anda de carruagem
Viaja de caravela
Se comunica por carta
Ou pombo correio
Mora em castelo
Defende seu rei
O enviado de Deus
Usa ceroula
E fala vosmecê.
Mas índio que é índio
Anda aqui do lado
Nem tem mais floresta
Que agora é clarão
Pasto, soja ou favela
Morre de grilagem
De fome, abandono
Desespero e de guerra
Quando não consegue
Nem um pedaço de terra
Que sempre é demasiada
Pra tão pouco índio
(Se morrerem mais rápido
Dá pra economizar?!)
Pois desde 1500
Quando o branco descobriu
O Brasil varonil
Lugar de índio
- "índio de verdade" -
- "índio de verdade" -
É bem longe no mato
No museu, nos romances
Na peça do colégio
Nas novelas da Globo
E no 19 de abril.
No resto do tempo
Nada lhe resta
Do direito de ser índio
- Leia-se de sobreviver
Já que o que é ser índio
Pelo visto quem diz
Pelo visto quem diz
É você.
Que legal o texto, ainda bem que do Maranhão não sai os Maribondos...Parabens pelo blogo
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