quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Confissões de um projeto de jurista - II

II

Dos primeiros horários matinais

Que aula chata,
Meu Deus,
Que aula chata!
Aula de louco, aula de lero,
Aula de nada.
Os meus olhos
Entre pescadas freqüentes
Correm a sala,
Vazia de aula.
Nervosa e impaciente,
Sentei-me bem à frente
E tentei me distrair:
E a lide é um conflito 
Intersubjetivo de interesses
Qualificado
Por uma pretensão
Resistida.
Ora, professor, conflito é entre a minha pálpebra de baixo e a de cima 
Quase me desqualificando
Aqui pra toda a gente
Mas resisto. 
Meio brava, 
Mas resisto bravamente.
Vontade de correr dali
Mais uma vez...
Um quarto de aula venci,
Faltam outros três.
Meu deus!
Que aula maçante,
Vou voltar pra minha cama,
Tão fofinha e aconchegante,
Que amanhã tem outra aula
E mais doutas cantigas de ninar 
Doutro aclamado doutrinador.
E eu que ainda pensei
Foi por pouco que não apertei
O botão diabólico
Dos cinco minutinhos no despertador...
Enquanto o professor cantarola
Só o que me consola
É pensar no Processo de amanhã
Mais plural, célere e efetivo
E, claro, menos enfadonho:
Menos vade mecum 
E mais sonho
(E sem aulas de manhã!)
Nana neném, possibilidade... jurídica... do bocejo
Do bocejo não, do pedido
Mais cinco minutinhos, 
Só o que peço
Depois eu juro que louvarei a Carnelutti e ao Processo.

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