quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Pôr-do-sol



Ah, meu menino
Ah, menino meu.
Nem menino, nem meu.
Mas ah! Menino...

Quão bom seria
Te ter e me teres,
Noites, crepúsculos, amanheceres,
Mulher me fazeres e
Seres, tu.
Dois seres, um corpo e ardia.

Mas, menino! Nem menino mais.
Que fazes, dez fases, desfazes.
Sem bases, mil ases de copas num jogo de cartas.
Todavia, o dia jaz.

E ouço ao longe,
Sussurro intermitente,
O vento nas folhas,
Carinho, a gente.
Teus olhos em curva,
Minha boca te sente
Um brinquedo de bolhas.

O vinho e a uva.
O mel em teu riso.
Cativos ao léu
Meus lábios, seus...
Réus.

Menino, mais?
Sai a rolha, entra o jazz
Vai a canção, desce o sol,
Fim da rua, minha lua sob teus pés.

2 comentários:

  1. A política incessante,
    Ou seus olhos inquietantes?
    Toda a certeza,
    de nenhuma surpresa.

    Doce sabor,
    do não conveniente,
    Da falta,
    de súbito latente.

    Do Não anunciado,
    Tempero do pecado.
    Singular frio na barriga,
    Me permita,
    de um talvez ousado.

    Por charme, avassaladora,
    De beleza, encantadora.
    Desproposital alegoria,
    Nada menina,
    Nada minha.

    ResponderExcluir