quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Dona Quarta

Dona Quarta
Reboladeira
Foi fazer feira
Pros minino comer.
Mexendo os quartos pra cá
Mexendo os quartos pra lá
Quem lhe visse jurava:
Tem sangue angolano, certeza,
Ao menos a bunda,
Isso pode apostar!
Dona Quarta cata tomate e alface fresquinha
E só compra leite da quinta do Zé
Que é pra não azedar.
Dá cá Zé o leite da Quartinha
Deixa que eu merma que vou entregar.
É a Dona Domingas Segunda
Invejosa dos quartos da Quarta
Que mexem pros lados
Fazendo o povo apontar.
Os minino abobado
Correm tudo pras bandas da quinta
Torcendo pra Quarta passar
Mas que bela bunda é essa
Dessa Dona Quarta!
Que coisa distinta
De se admirar!
E a feira parada
Parece mais feriado
Ninguém faz mais nada
De olho vidrado
Nos quartos da Quarta
Que mexem pra cá
Que mexem pra lá
Vixe, pra que tanta pressa?
Lá vai Dona Quarta,
Deixa a feira de lado,
Rebola-se dali pra outro lugar.

Aí todo mundo toma seu rumo
As moças pras cestas
Os rapazes pro fumo
Os senhores pras sestas...

Só os minino na praça matriz se põem a conjecturar:
      - E se a gente tascasse no meio do cochilo dos véio um "x"
         pra festa não se demorar?

Um comentário:

  1. Esse texto é uma maravilha. Nós admiradores desse compasso pra lá e cá, sabemos! O texto já não me é novidade, verdade, mas o talento sempre surpreende.

    Aproveite Setembro.

    [Olha, em janeiro deste ano o Salvadores teve uma reunião em que decidiu incluir um novo escritor no blogue... Um texto desses é muito a cara de lá.]

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