sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Agosto que quer ser setembro

"Como num conto de fada
Ou como alguém rolando a escada
Vou pra civilização
Cabeleira incendiada
No barranco, na boléia
Uma candeia em cada mão
Eu quero um amor de primavera"
[Veneta - Chico Buarque e Edu Lobo]

Cá estou erodida e esturricada
24% é a umidade relativa do ar
Lua cheia e um desconforto
Que chega arde
E jogo uma água na cara
E tomo uns goles de Bohemia pra aliviar.

A secura não condiz
Com esta minha mocidade
Aí enfio as raízes fundo
Na argila do cerrado
Pra ver se fundo eu acho
Algum indício de sei lá
Qualquer coisa que me agrade
Sertão cerrado é tão difícil de irrigar...

Eu desejo hoje coisas que minha gasta formação
Minha vasta presunção e essa voluntariedade
Me dão gosto em nominar
Nas linhas que escrevo tortas de propósito,
Pois falta tempo e disposição pra endireitar.
Além do que o retorcido já faz parte do cenário.

Quero mais é pegar fogo igual o verde bonito que tinha ali do lado de casa todo preservado.
Queimar toda e já e perto que é pra se ver o estrago
Fumaça, cinza, chama, fogo, tudo em tudo quanto é parte desse Lago.

O bom da secura é que precisa só duma fagulhazinha de nada pro incêndio começar.

Enquanto a primavera atrasa
Visto minha poesia desgostosa de Agosto
Vejo a lua a sentir pena do cerrado em brasa a inflamar
Essa terra que já está pronta faz um tempo
Preparada, fértil e toda prosa
Que é pra quando ele vir, ah...
Quando Setembro chegar
Eu viver de pegar fogo,
Eu morrer de tanto amar.

2 comentários:

  1. natália, seu blog é sensacional! parabéns!

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  2. Eu já tinha comentado sobre esse texto antes, acho ele espontâneo, gosto. Setembro chegou.

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